“O primeiro tiro partiu da polícia”, diz refém cearense

Do G1 Ceará A mãe de Francisca Edneide da Cruz Santos, de 49 anos, uma das seis reféns mortas durante uma tentativa de roubo a duas agênc...

Do G1 Ceará
A mãe de Francisca Edneide da Cruz Santos, de 49 anos, uma das seis reféns mortas durante uma tentativa de roubo a duas agências bancárias no município de Milagres, no Sul do Ceará, afirmou que viu a filha morrer nos seus braços.
Ela afirmou que foi mantida refém pelos suspeitos dentro do carro junto com a família e que o disparo que matou Edneide partiu do lado policial durante o tiroteio com os bandidos.
A Secretaria da Segurança Pública do Ceará afirmou que oito pessoas foram presas, mas não comentou sobre a ação policial que terminou com a morte dos reféns.
De acordo com a Secretaria de Segurança, cinco criminosos foram baleados nas proximidades das agências e morreram. Outros dois suspeitos morreram no hospital e um oitavo envolvido durante confronto com policiais na cidade de Barro.
A outra refém morta foi Edneide da Cruz, que foi atingida dentro do carro em que estava junto com a mãe e os criminosos. A mãe da vítima relatou que o filho dela e um dos bandidos afirmaram que o tiro que vitimou Edneide partiu da polícia.
“Fiquei com a minha filha dentro do carro já morrendo, com o sangue fervendo na goela, e eu pedindo socorro, gritando, mas não apareceu ninguém. Quando meu menino se deitou no chão que a polícia começou a chegar nele, ele disse ‘Vocês mataram minha irmã!’, e o policial fez assim ”, disse agricultora Maria Larilda Rodrigues, replicando o gesto do agente de segurança com as mãos na cabeça.
Três horas por ajuda
A agricultora disse que Edneide morava em São Paulo e aproveitou uma licença do trabalho para vir ao Ceará e passar dois meses com os pais.
A família foi feita refém pelos bandidos após retornar do aeroporto. “Fomos buscar ela no aeroporto, e no caminho de volta, perto de Brejo Santo, a gente viu um caminhão atravessado na estrada, com um carro de cada lado da pista, e um movimento daqueles moços mascarados. Aí pensei ‘Senhor, tá tendo um assalto, tem misericórdia!”, relembra a agricultora.
Segundo Maria Larilda, os suspeitos pararam o carro, renderam e separaram os quatro membros da família- pai, mãe e dois filhos- em dois veículos diferentes.
A agricultora seguiu com a filha e dois homens em uma caminhonete, enquanto o marido e o filho ficaram no automóvel pertencente ao grupo de assaltantes.
Os dois os carros seguiram em direção à agência do Banco do Brasil de Milagres. De acordo com Larilda, o suspeitos tentavam tranquilizar a família, dizendo que “não queriam celular, dinheiro nem carro, nem maltratar”, apenas as levariam “numa missão”.
“Os bandidos voltaram com a gente, já perto da pista, e começou o tiroteio. Senti arder, tinha farelo de pólvora, mas não vi que tinha pegado tiro na minha filha. Aí o bandido que tava do lado dela disse: ‘(A polícia) Quebrou minhas pernas e matou a mulher!’ Olhei pra ela e vi o sangue descendo, o cabelo no rosto”, relatou a mulher.
De acordo com Larilda, após o tiroteio, os suspeitos correram para um matagal, e o bandido que fez a filha de escudo pediu ajuda aos demais, que não voltaram para buscá-lo. Ela conta ainda que passou mais de três horas pedindo ajuda para a filha na beira da estrada.

 

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